1. Desde tu posición como coordinador del área tipográfica de la Red de Diseño Latinoamericana: ¿encuentras que en América Latina hay un movimiento tipográfico unido, consciente de sí mismo? o, por el contrario ¿existen varios esfuerzos aislados e inconexos?
Existem, a meu ver, movimentos nacionais, mas, não em todos os países. Assim, do meu ponto de vista, colombianos e chilenos são mais unidos em procurar objetivos comuns. Seu grupo no Uruguai é importante, neste sentido. Os brasileiros, penso, são muito desunidos, embora compareçam com muitos profissionais e amadores em crescimento profissional e tenhamos aqui uma lista de discussão com mais movimento, por exemplo, do que a da Colombia (eu participo das duas). Todavia, todos estes grupos parecem se conhecer entre si, e isto é bom, os type designer latino-americanos são ávidos por informação e isto está a produzir uma massa crítica que faz se sentir a cada dia. Uma prova disto foi a ultima entrevista publicada na Red LatinoAmericana, com o venezuelano Carlos Fabian Camargo, que continua sendo um sucesso de visitas e comentários até este momento. O movimento em torno do Letras Latinas ainda é o que melhor pode interagir e agrupar o conhecimento destes profissionais na América Latina, mas sinto que não existe nada além dele desta magnitude. Quisera eu que a Tipografia en La Red ajudasse, com o passar do tempo, a unir os luso-hispanicos da América tipográfica. Enfim, muitos de nós estamos fazendo a nossa parte. E isto é bom.
2. El enorme tiempo y la poca retribución económica que la actividad de diseñar tipografías implica ¿puede tener que ver en algo con esta realidad?
É possivel. Mas eu tenho outro ponto de vista sobre a relação esforços/resultado economico em tipografia. Nossa atividade nunca foi das mais fáceis na história da industria humana. Se observarmos bem, há décadas atrás e pior ainda, há dois séculos atrás, os tipógrafos tinham que deter além do conhecimento teorico e criativo, habilidades de artesanato altamente sofisticadas, para compor suas obras. Naquele tempo, sim, um alfabeto poderia levar anos para ser completamente produzido. Desta forma, sem os computadores e a internet para distribuir digitalmente as fontes hoje em dia, acredito que 90% dos type designers atuais sumiriam do mapa, diante de desafios realmente muito maiores. Enfim, o sacrificio que a tipografia se nos impõe é uma particularidade desta profissão. Acredito, REALMENTE, que o amor pela tipografia é que caracteriza o tipógrafo, e não a sua obra. No meu caso, para suprir minha ignorância e alimentar o meu coração, começo vagarosamente a trilhar o caminho inverso da tipografia: estou começando a adquirir antigos tipos de chumbo para conhecer com as mãos, e não com o olhar, como tentou nos explicar o Bachelard.
3. ¿Qué aspectos de la realidad tipográfica presente negaremos en el futuro?
Definitivamente deveríamos produzir mais fontes. Eu não disse melhores
fontes, mas, exatamente, mais fontes. Penso que o modelo adotado pela maioria
absoluta (com pouquissimas exceções, sendo a mais louvavel delas a Sudtiptos,
que tem uma biblioteca vasta e ao mesmo tempo de primorosa qualidade) dos
nossos colegas não basta. O que se pratica em nosso continente? Nossos type
designers se esforçam conscientemente para produzirem peças de excelente
qualidade conceitual, a maioria frequentando ou oriundos de afamadas universidades
e cursos de desenho industrial. Mas isto não basta. Temos de produzir maior
volume de tipografia, afinal o mercado já demonstra possuir mais de 60.000
tipos. Portanto, por mais impressionante que seja uma fonte de um determinado
tipógrafo, ele será mais conhecido no mercado se tiver, infelizmente, mais
fontes, esta é a realidade.
Não estou aqui pregando que se queimem os livros e crucifiquem-se os professores.
Estou apelando para o desenvolvimento de uma linha paralela de trabalho
que produza concomitantemenmte mais fontes. As vezes penso, e minha visão
se baseia então mais no que percebo no Brasil, que alguns de nós fazem fontes
para tipógrafos. No entanto, os consumidores utilizam muitas vezes outros
produtos, menos requintados, mas que atendem seus anseios diletantes. Eu,
dias atrás, pensava, por coincidencia, a começar a inserir em minhas entrevistas
que tenho feito para a Red, a seguinte pergunta: «O que o senhor pensa dos
tipógrafos autodidatas?». No Brasil, e em muitos outros países, parece haver
um distanciamento, ou uma rejeição, ao autodidatismo. No entanto, bem sucedidos
«fonters» norte-americanos estão no mercado há mais de uma década com esta
fórmula e são lideres em vendas e reconhecimento do público. O mercado é
pragmático, isto deveria ser mais levado em conta. Deveríamos lembrar por
exemplo de William Morris e a Kelmscot Press, que começou tardiamente (após
os 40 anos de idade) e ainda assim revolucionou a tipografia de seu tempo.
Outra coisa: as grandes e multinacionais typefoundries adotam o benchmark.
Isto não é novidade, Aldus Manutius já se preocupava, no século XVI, com
a cópia de suas idéais, chegando a formular para a justiça da Itália, se
bem me lembro, um pedido para proteção autoral de suas fontes...
Temos de entender que o mundo não é feito apenas de pessoas criativas, e
que o trabalho árduo e continuo tem tanto valor quanto uma idéia original.
E por fim, outra fórmula que penso ser importante, é da união séria de profissionais
em torno de marcas mais fortes, ou seja, typefoundtries no sentido amplo
da palavra. Quantas delas existem verdadeiramente na América Latina. Europeus
e norte-americanos tem foundryes que agregam o trabalho de dezenas de designers
até. Não é, definitivamente o caso por aqui. Desde a época de Aldus Manutius,
as mais bem-sucedidas e duradouras foundries foram aquelas que uniram talentos.
4. ¿Cuál es tu percepción de la compra de tipografías por parte de los diseñadores del continente? ¿cómo se consigue disminuir la copia e intercambio ilegal de tipografías?
Acho que esta é certamente a mais dificil das perguntas a responder. Eu simplesmente não sei. Este assunto está sempre em discussão na lista de tipografia do Brasil, e somos um país conhecido por praticar pirataria. A pirataria está, ao menos no Brasil, encravada num modo de ser antiético e oportunista que é herança dum estado de coisas universal aqui, por onde perpassa a má divisão de renda nacional, o baixo nível de ensino, a corrupção, o desemprego que leva a mentalidade do «jeitinho brasileiro» e a falta de fiscalização institucional pasando finalmenhte pela falta de bons exemplos a serem seguidos, ou seja: «jogue a primeira pedra», como diria Jesus, é algo que intimida. Mas, propondo soluções, a primeira seria certamente o aumento da ênfase neste assunto em todos os debates, tanto em nivel nacional quanto no intercambio com os outros países. Outra solução seria um maior envolvimento de associações nacionais pressionando os órgãos dos governos para fiscalização e penalização juridica, afinal, tipografia hoje em dia é software e softwres temsuas leis internacionais bem claras. A meu ver, porém, a melhor solução virá naturalmente com a evolução técnica dos sistemas operacionais e softwares. Ou seja, assim como as cópias de sistemas operacionais como o Windows começam a ser cada vez mais eficientemenmte fiscalizadas pelos seus owners através do intercambio de informações na web é possivel desenvolver um formato novo de fonte digital que exija certificação e senha, assim como os softwares maiores o pedem para instalação. Fontes são instaladas nas máquinas da mesma forma que voce copia um arquivo .txt ou .doc. Isto facilita a distribuição e uso ilegal. Se os engenheiros da Bisttream, Adobe, etc, não tiveram ainda esta idéia estão perdendo tempo nas pranchetas
5. ¿Cuántas licencias se venden mensualmente a través de Intellecta? ¿cómo están distribuidos geográficamente los compradores, en qué porcentajes?
Através de MyFonts, em média, 280 licensas mensais. Quanto a Fonts.Com ainda não temos dados estatísticos, por ser a operação nova. Não saberia dizer percentualmente a distribuição das licensas, pois nunca efetuamos esta soma, mas temos um mapa geográfico visual (GoogleMaps) iniciado há pouco tempo que esclarece muito bem esta distribuição. Estamos felizes no entanto em perceber que a venda para a Europa tem aumentado nas ultimas semanas, pois antigamente a presença do mercado norte-americano era opressiva em relação a Europa. Queremos acreditar que o aumento das vendas para Europa, Australia e até Israel demonstra claramente um reconhecimento mais universal da Intellecta atualmente. Queremos ser universais, sem deixarmos de sermos lusófonos e latinos.
(cc) Tipografía Montevideo 2008 // Paulo W